“Os cristãos não sabem o que vai acontecer com eles. É a mesma coisa em toda parte: no trabalho, na escola ou mesmo em casa. Eles não sabem se alguém irá matá-los”.

O arcebispo de Mossul (norte do Iraque) advertiu que uma campanha de violência e intimidação ameaça acabar com os últimos cristãos da cidade. Dom Amil Shamaaoun Nona descreveu como um súbito aumento de assassinatos acendeu ainda mais a emigração dos cristãos, levantando preocupações sobre a sobrevivência da Igreja Católica no local, que existe desde os tempos bíblicos.

Falando de Mossul em uma entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre, o Arcebispo Nona descreveu os assassinatos de quatro cristãos como parte de uma motivação política para forçá-los a partir da cidade. Sublinhando que o ataque tinha como vitimas os cristãos, o arcebispo Nona disse: “Se a situação continuar, especialmente como tem acontecido nos últimos dias, todo o povo vai ir embora. É muito difícil viver neste tipo de situação. Tudo é pânico, sempre há pânico. Os cristãos não sabem o que vai acontecer com eles. É a mesma coisa em toda parte: no trabalho, na escola ou mesmo em casa. Eles não sabem se alguém irá matá-los”.

O arcebispo falava hoje (quinta-feira, 18 fevereiro), quase 24 horas depois da morte do estudante de 20 anos, Georges Wissam. O quarto cristão assassinado esta semana em Mossul.

A agência católica AsiaNews informou que dois comerciantes em Mossul foram mortos. Outro homem foi seqüestrado em sua casa em Mossul. A comunidade cristã descreve o momento no Iraque como “um massacre – como Sexta-Feira Santa”.

O Arcebispo Nona disse que os ataques foram mais um aviso para os cristãos deixarem a cidade, relatando que só no dia de ontem (quarta, 17 de fevereiro) havia recebido a notícia de que 10 famílias cristãs estavam fugindo de Mossul.

Salientando que Mossul foi de longe o lugar mais perigoso para a comunidade cristã no Iraque, o arcebispo Nona disse que a cidade teve uma redução drástica no número de cristãos desde 2003, quando haviam mais de 5.000 famílias vivendo ali. “O que estamos vendo é um esforço imenso para forçar os cristãos a abandonar Mossul. Nós ainda não sabemos quem está por trás dos ataques”.

Em meio a suspeitas de que os assassinatos estão ligados às próximas eleições no Iraque, ele disse: “Nós achamos que toda esta onda de violência está ligada a interesses políticos. Algum grupo político tem algo a ganhar se todos os cristãos forem embora”. O Arcebispo Nona disse ainda que a Igreja pediu às autoridades de Mossul para melhorar a segurança, mas foi dito que era impossível garantir a segurança dos cristãos.

Os incidentes são um teste inicial para o prelado de 42 anos de idade, menos de um mês após ele se tornar o mais novo arcebispo da Igreja Católica, substituindo o arcebispo Paulos Faraj Rahho, que morreu em cativeiro em março de 2008.

Os cristãos de Mossul têm sofrido ataques periódicos, como em setembro de 2008, quando uma série de assassinatos e sequestros forçaram os fiéis a deixar a cidade. Porém a maioria retornou nas semanas e meses seguintes.

Enquanto isso, outros procuraram refúgio na região norte do Curdistão, onde a segurança é pouco mais reforçada. Muitos estão determinados a se juntar com a família e amigos nos países vizinhos, incluindo a Síria e a Jordânia. O Arcebispo Nona concluiu apelando por ajuda e oração: “Precisamos desesperadamente de vocês a orar por nós”, disse ele, insistindo na maior cobertura da mídia sobre a situação dos cristãos em Mossul.

Apoiar a Igreja no Oriente Médio é hoje uma prioridade para a Ajuda à Igreja que Sofre, que recentemente recebeu um pedido em nome de Papa Bento XVI para apoiar a Igreja nas regiões “onde as Igrejas cristãs estão ameaçadas em sua existência”.