Sofrimento inimaginável e condições inumanas foram denunciados pelo Padre Andrzej Halemba e Ulrich Kny da Ajuda à Igreja que Sofre, que estiveram em Angola durante 2 semanas e puderam visitar alguns dos campos de refugiados na cidade de Damba no norte de Angola.

O governo da República Democrática do Congo (Antigo Zaire) e o vizinho, República do Congo, estão atualmente expulsando os cidadãos angolanos que vivem em seus países. O método das autoridades para isso é brutal, ao que parece, a polícia e grupos civis chegam sem aviso prévio e ordenam o povo angolano a sair do país imediatamente. Os trabalhadores angolanos estão sendo demitidos e os alunos sendo expulsos das escolas. Milhares de pessoas são forçados a voltar imediatamente para Angola, sem ao menos poder reunir suas poucas coisas. As famílias estão sendo dilaceradas neste processo e as crianças foram deixadas para trás sozinhas, incapazes de encontrar seus pais na confusão impiedosa. Aqueles que se casaram com congoleses tiveram que se separar e viver sem o cônjuge. Muitas vezes os refugiados, incluindo mulheres grávidas, idosos e doentes, são obrigados a viajar aproximadamente 900 km a pé, informa os dois representantes da AIS.

Eles contaram sobre uma mulher que após uma cirurgia nas costas foi obrigada a andar mais de 100 km a pé. Outras mulheres deram a luz enquanto caminhavam de volta para a Angola, no meio da estrada. Um garoto de 15 anos chegou em um dos campos de refugiados com os pés sangrando depois de andar dias. Muitas pessoas chegam nos campos de refugiados sem ter comido nada durante dias.

As duas dioceses de Angola, Uíje e Mbanza Congo, estão agora enfrentando o desafio de ajudar milhares de famintos, exaustos e em muitos casos refugiados gravemente doentes. Por exemplo, no município de Damba cinco campos de acolhimento foram criados, mas devido as fortes chuvas, as condições do solo em que as tendas foram montadas estão completamente catastróficas. Poças enormes estão se formando até mesmo dentro de algumas das barracas. Ulrich Kny relata: “Alguns dos refugiados estão tentando continuar andando em frente, com seus parentes para outras aldeias. Outros não têm nenhuma idéia para onde ir, suas aldeias foram totalmente destruídas durante a guerra civil e todos seus familiares fugiram. Outros ainda foram recusados por seus familiares e estão retornando, ainda mais profundamente feridos, a um dos campos de acolhimento”.

Em Damba quatro capuchinhos franciscanos e quatro irmãs da Misericórdia estão cuidando dos inúmeros refugiados. As irmãs abriram o seu convento para servir de abrigo. Mas o espaço é pouco para tantos, o que ocasiona a busca por abrigo em construções vazias ou inacabadas da cidade.

“Os capuchinhos e as irmãs estão ajudando tanto quanto podem. Estão distribuindo alimentos, utensílios, fraldas, remédios e roupas. Eles ainda verificam se todos os refugiados foram vacinados contra tétano, poliomielite e outras doenças e também fornecem ajuda espiritual e apoio psicológico por todo este sofrimento”, relata padre Halemba. Todos os dias, estes religiosos cuidam de centenas de pessoas, enquanto dezenas de voluntários da paróquia também estão ajudando. Mas o número de refugiados está aumentando dia a dia.

As estimativas prevêem que, nas últimas semanas até 40.000 angolanos foram expulsos dos dois Congos. Parece que este é um flagrante ato de “vingança” pela expulsão de refugiados congoleses ilegais em Angola, que começou há dois anos. Ao contrário desta ação, no entanto, a expulsão dos dois Congos não se limita aos imigrantes ilegais, mas é dirigida contra todos os angolanos, que vivem legalmente nos dois países, quer como refugiados da guerra civil angolana ou por outras razões, explicou os dois representantes da AIS.

Os bispos das dioceses de Uíje e Mbanza Congo apelaram à AIS urgentemente para ajudar aos refugiados.