//A trajetória de uma familia síria

A trajetória de uma familia síria

2017-05-12T13:48:21+00:00dezembro 7th, 2016|Notícias|

A família de Hani Anton, de 48 anos de idade, possui 5 membros: ele, sua esposa Mary de 42 anos e 3 filhos. O mais velho é o Georgio com 20 anos; a filha do meio é a Joelle, que aos 17 anos está completando seus estudos após interrupção de um ano pelo início da crise; e o caçula é o Johnny de 13 anos, que também ficou fora da escola por um ano por questão médica (passou por três operações por mal formação congênita e obstrução dos ureteres e intentino) e agora termina a escola secundária.

Fomos visitar a família para ajudá-los com um curso para que Jonny tenha o certificado do ensino fundamental II. Eles estão hospedados na casa de parentes há 5 anos, desde que saíram de sua cidade Zabadani, na área de Damasco. A família de Anton possuía um omercio que era a única fonte de sustento. Eles eram uma das famílias mais prósperas de Zabadani, comiam e bebiam muito bem.

No Natal, a árvore sempre era brilhante; luzes pisca-pisca e ornamentos enfeitavam e iluminavam toda a vizinhança. Os parentes se reuniam, com comida e dança compartilhavam a alegria. Mary sempre fazia doces maravilhosos para essa celebração. Tudo isso antes da crise. Disse Anton com dor em seu coração: “A alegria foi perdida, e os feriados se tornam lembranças que se esvaem na fumaça da guerra; não há celebração numa terra sob fogo e sujeira de guerra”.

Mary falou sobre seu sofrimento no início da crise: “Nós estávamos vivendo numa área considerada um sonho para qualquer ser humano, mas a guerra entrou em nossas casas e nos destruiu: nossas crianças ficaram sem escolas, nós perdemos nosso modo de vida e nossa casa foi completamente destruída com os bombardeios, os militantes colocaram suas mãos sujas em cada centímetro na nossa região. Meu marido caiu em depressão pelo o que aconteceu e tivemos de procurar tratamento para ele, o que não havia em Zabadani, como também não havia tratamento para o meu filho Johnny. Nós, então, fomos forçados a sair de lá, pelos acontecimentos e porque os militantes começaram a forçar as famílias a irem embora mesmo contra a vontade. Saímos de nossa casa e fomos para a casa de parentes em Jaramana, também na região de Damasco, e conseguimos completar o seu tratamento. Entretanto, a situação do meu marido após a nossa partida ficou pior. A mudança de ambiente foi mais uma razão para a sua depressão. Graças a Deus, agora ele está em tratamento e melhorando, embora lentamente. Meu filho mais velho migrou para fora do país para escapar dessa situação e conseguir um emprego. Ele se afetou emocionalmente por deixar pra trás todas as suas memórias de infância em Zabadani. Minha filha Joel chorou todo o caminho até a casa dos nossos parentes e continuou chorando todas as noites antes de ir dormir e rezava para que nós voltássemos à nossa casa, porque ela é muito tímida e teria muita dificuldade em se adaptar numa nova escola após a interrupção dos estudos por um ano inteiro. Já Johnny fez a prova do nono ano duas vezes, e na hora do teste passou mal de saúde e não conseguiu completar a prova. Esse ano ele está bem animado. Depois de ter aulas de reforço, fazer novos amigos e ser incentivado, ele passou nas provas com boas notas. Nossa alegria foi indescritível depois dos dias difíceis que passamos. Entretanto, durante o verão, sua situação piorou e tem que passar por uma cirurgia imediatamente. Ele precisa também de bolsa coletora de urina, que é bem cara. Meu marido está trabalhando num sacolão e sua renda é o suficiente apenas para as despesas de comida, coisas que as crianças precisam e material de limpeza. Assim nós começamos a procurar associações de caridade e assistência médica para o meu filho, porque os custos do tratamento estão além das nossas possibilidades. Que tipo de futuro nos aguarda? O que o destino está escondendo pra nós?”

Quando falamos com Johnny, perguntamos: “O que você sente após ter saído de sua casa?” Ele nos respondeu: “Estou muito triste porque todos os meus amigos emigraram e perdemos contato. Sinto muita falta deles durante o meu tratamento. Eles não me deixavam nem mesmo um minuto quando estávamos em Zabadani. Mas agora, nenhum deles está perto de mim. Eu encontro um novo amigo durante uma seção e ele se torna meu irmão. Obrigada pela sua contribuição, encorajamento e apoio que têm me dado”.

“Como vocês conheceram as Irmãs do Bom Pastor?” A mãe disse: “A associação de vocês é famosa por sua pronta ajuda humanitária. Fui até vocês, fui escutada e logo uma mão me foi estendida. Em todo lugar que vou, eu digo que o Bom Pastor apagou a tristeza do meu filho. Muito obrigada por sua ajuda e obrigada às Irmãs do Bom Pastor, por sua humildade e por sua doação sem distinção de raça ou religião” … [As irmãs do Bom Pastor recebem ajuda da ACN para manter suas atividades junto ao povo]

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