//A odisséia de Emanuel

A odisséia de Emanuel

2013-01-11T19:05:35+00:00janeiro 14th, 2013|Notícias|

Todo ano, 25 mil jovens deixam a Etiópia em busca de trabalho no exterior para sustentar suas famílias. Mas em muitos casos esta não é a realidade. Eles acabam sendo explorados, privados da liberdade, abusados sexualmente e enganados a respeito de salário. Em 13 de janeiro (2013), a Igreja Católica realizou o 99° dia mundial do Migrante e Refugiado. Em sua mensagem, o Papa Bento XVI condena o tráfico de seres humanos e sua exploração.

Emanuel tinha 13 anos quando, com a benção de seus pais e não mais que 250 reais no bolso, deixou sua casa, no norte da Etiópia à procura de trabalho no Iêmen ou Arábia Saudita. Ele entregou quase todo seu dinheiro para um “agente” que o ajudaria a chegar até a fronteira com a Somália. De lá ele viajaria para o Iêmen, onde havia a promessa de um emprego numa grande empresa construtora. Mas em vez disso, o que o esperava o pequeno Emanuel era uma odisséia em busca de um futuro melhor.

O menino, já faminto, conseguiu finalmente chegar no porto somali de Bossaso, onde veio a bordo de um barco de pesca. Ele usou todo seu dinheiro restante para pagar pela travessia que o levaria até o Iêmen. O barco, que comportaria até 50 pessoas, estava a levar 250, o que dava espaço somente para respirar e esticar as pernas. Depois de 3 dias, quando o barco chegava em águas iemenitas, muitos dos imigrantes ilegais não estavam mais vivos. E os traficantes, ainda, deram a ordem para todos pularem em alto mar, a quilômetros da costa, a fim de evitar problemas com a guarda costeira. Mas muitos homens, mulheres e crianças não sabiam nadar e, inevitavelmente, se afogaram.

Emanuel conseguiu chegar em terra firme, mas logo percebeu que os traficantes o tinham enganado. Não havia ninguém a espera de Emanuel para levá-lo ao seu novo emprego. Ele estava completamente sozinho e sem comer nada durante 3 dias. Acabou seguindo um grupo de imigrantes etíopes até a cidade. Viveu longos dias nas ruas até ser contratado por um fazendeiro que o fazia trabalhar, por vezes, mais de 15 horas diárias, num trabalho de grande esforço físico. E tudo isso aos 13 anos de idade. Emanuel nunca ganhou salário. Passados 5 meses ele consegue fugir. Decide tentar a sorte outra vez na cidade.

Na cidade, foram várias semanas de fome. Quando tinha perdido todas as esperanças, Emanuel foi preso pela policia e mandado de volta à Etiópia somente com a roupa do corpo e mais nada.

O garoto não queria voltar para sua casa. Sua vergonha ao suposto “fracasso” era muito grande. Ele dizia: “O que meu pai vai dizer? O que as pessoas da minha vila dirão se eu voltar de mãos vazias? Meu pai vendeu as poucas cabras para poder pagar o agente. Agora minha família não possui mais nada. Estão esperando o dinheiro que eu enviaria do meu trabalho. Como posso voltar?”. Em vez disso Emanuel vai tentar, agora, um outro trabalho, mas nas cidades de Dire Dawa ou Jijiga, fronteira com a Somália. “Quando eu guardar dinheiro suficiente, eu envio um pouco pra minha família e tento novamente chegar no Iêmen”.

Esta foi a história de Emanuel. Uma história que ainda não teve um fim. Padre Hagos Hayish, secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos Etíopes, conhece muitas histórias desse tipo. “Isso faz você querer chorar”, diz ele. Houve até mesmo casos de mulheres que voltaram para casa com as mãos cortadas porque o seu empregador na Arábia Saudita acusou-as de roubo. Esta é a punição prevista pela Sharia.

A Igreja Católica na Etiópia tenta educar os jovens sobre os perigos da emigração, e especialmente sobre os traficantes de pessoas, de modo que eles não se permitam serem tentados por falsas promessas. A Igreja também se preocupa com as vítimas do tráfico, bem como os muitos refugiados que entram na Etiópia de países vizinhos, como a Somália e o Sudão do Sul.

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apóia inúmeros projetos na Etiópia em favor dos migrantes e refugiados, bem como em todo o mundo.

One Comment

  1. José Roberto 15 de janeiro de 2013 at 12:07 - Reply

    Estamos junto nesse apoio, mais a missão é grande.Peço a Deus que mande mais operários para AIS.

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