//A Nigéria é ameaçada por “dois monstros: a corrupção e a insegurança”

A Nigéria é ameaçada por “dois monstros: a corrupção e a insegurança”

2013-05-06T13:03:20+00:00maio 6th, 2013|Notícias|

“O aumento da corrupção e da violência religiosa põe em risco a Nigéria”. Assim advertiu profundamente o Cardeal John Onaiyekan, Arcebispo de Abuja, durante sua recente intervenção na Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu em Bruxelas. O Cardeal Onaiyekan esteve acompanhado por Dom Matthew Hassan Kukah, bispo de Sokoto (no noroeste do país).

No marco desta visita coordenada pela associação pontifícia “Ajuda à Igreja que Sofre”, os dois líderes eclesiais apresentaram os desafios mais urgentes da Nigéria aos membros desta comissão da União Europeia, para ajudá-los a entender a verdadeira situação em que se encontra um dos três países prioritários para a União Europeia na África subsaariana junto com a África do Sul e o Quênia.

Em seus diálogos com a Comissão e outros membros do Parlamento e representantes dos 27 Estados membros, o Cardeal Onaiyekan e o Bispo Kukah se referiram a dois assuntos fundamentais, qualificados como “os dois monstros da corrupção e da insegurança”. Segundo os líderes da Igreja, a Nigéria — que possui um PIB de 244 bilhões de dólares e que recebe uma generosa ajuda internacional — não é um país pobre; mas a corrupção e a má gestão são um problema tão grande que raramente chega algo de benefício para população. “Este fato gerou níveis extremamente altos de desconfiança na população, o qual alimenta a outra ameaça diária: a insegurança”, declarou o Cardeal Onaiyekan.

Onde falha a gestão do governo, a Igreja Católica facilita serviços de assistência, dirigindo numerosas escolas, hospitais, centros de assistência jurídica e outros serviços básicos nas regiões mais pobres da Nigéria. “A Igreja Católica se preocupa pelo bem-estar de todos os nigerianos, não só os batizados nas nossas igrejas. Somos 170 milhões de nigerianos, dos quais aproximadamente a metade são cristãos de diferentes confissões e a outra metade são muçulmanos, também de diferentes grupos. Os católicos continuam sendo a comunidade religiosa mais ampla do país, por isso temos uma influência e uma responsabilidade consideráveis”, completou o Cardeal.

Dom Matthew Kukah, bispo da diocese de Sokoto, onde os católicos são uma minoria muito reduzida, informou que os indicadores socioeconômicos da saúde, educação e os salários no norte da Nigéria se encontram entre os piores de toda a África subsaariana.

“Nesta região, o poder está nas mãos de uma maioria muçulmana. A maneira que gastam os recursos federais corresponde às suas próprias prioridades e o conceito de educação e saúde pública que têm não é o mesmo que o da UNESCO. “Esta é a região onde nasceu o grupo Boko Haram”, explicou o prelado referindo-se a um dos mais violentos grupos anticristãos do mundo.

Por sua parte, o Cardeal Onaiyekan acrescentou que a combinação de pobreza, desconfiança e uma grande afluência de armas procedentes da Líbia fizeram crescer exponencialmente a tensão.

“Em muitos casos, os delinquentes estão melhor armados que as forças de segurança nigerianas”, finalizou.

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