“Assim como a Igreja é missionária por natureza, também brota inevitavelmente dessa natureza a caridade efetiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove.” Papa Francisco, Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”

Este é apenas o editorial do Boletim de Março de 2014.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

A compaixão com os que sofrem necessidades, no corpo e no espírito, deve ser uma característica particular de nosso amor cristão ao Jesus que se encontra em nossos irmãos e irmãs pelo mundo.

Todo filho, filha, traz em suas células a genética de seus pais. É normal identificarmos os filhos olhando para o rosto dos pais. Então como filhos e filhas de Deus, feitos à sua imagem e semelhança, temos o dever de trazer em nossa vida os traços de nosso Criador. Deus é amor. Três Pessoas divinas que, no amor, se tornam um só Deus. Os primeiros cristãos eram conhecidos pela vivência do amor mútuo, pela fidelidade aos ensinamentos de Jesus e pela sua assiduidade na recepção da Eucaristia. Assim devemos também nós buscar ser e viver como cristãos se realmente quisermos testemunhar a Pessoa de Jesus.

Não basta sermos apenas bons cumpridores dos preceitos dominicais. Se buscarmos ouvir, ler, conhecer e, particularmente, acolher em nosso coração a Boa Nova dos Evangelhos, haveremos de descobrir que Cristo foi um apaixonado pela dor humana. Ele pautou sua mensagem e anúncio do Reino de Deus assumindo em si as palavras do profeta Isaías: “Eu fui ungido e enviado ao mundo para anunciar a Boa Nova do Reino, libertar os cativos, curar os enfermos, dar de comer aos famintos, restituir a vista aos cegos, perdoar os pecadores para celebrar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18s). Os quatro Evangelhos são marcados pelo carinho de Jesus com os mais fracos, pecadores, doentes e injustiçados. Ele sempre foi muito atento ao clamor dos excluídos e foi severo com os que mantinham dureza de coração diante das injustiças humanas.

Jesus ensinou que ter compaixão implica em sofrer e assumir a própria dor do outro. O Papa Francisco fala dos que se encontram “na periferia da vida material, existencial e espiritual” sofrendo todo tipo de exclusão. Vejam o amor de Deus Pai pela humanidade. Tal amor chegou ao ponto do próprio Deus enviar o seu único Filho amado que, por sua vez, derramou seu sangue na cruz para nos redimir do pecado e nos restituir a filiação divina e a dignidade humana. É verdade. Ninguém nos amou como Deus. O Seu amor de compaixão pela humanidade se tornou o seu próprio modo de ser, de agir, seu estilo de vida.

A Ajuda à Igreja que Sofre tem por carisma cultivar a compaixão no mundo em favor dos mais pequeninos e feridos de nosso tempo. Neste tempo propício de quaresma, convido você a um novo encontro com Deus e o desafio a perceber sua presença em cada pessoa. Faça a experiência!

Com minha bênção e minhas preces,
Pe. Evaristo Debiasi