Tanto o presente quanto o futuro dependem em muito de nossas opções e escolhas. O futuro da  vida está ligado diretamente aos cuidados que damos aos bens da criação e de suas criaturas.

Este é apenas o editorial do Boletim de Março de 2011.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

A criação em sua diversidade de bens e de vida é dádiva e dom de Deus para todos. Seu cultivo e domínio não pode ser exclusividade de alguns, nem de interesses de grupos ou sistemas econômicos. Não somos donos absolutos dos bens da natureza. A terra é a morada da humanidade, nossa casa comum.

Recebemos de Deus o direito de usufruir racional e responsavelmente dos recursos da criação para a nossa sobrevivência, mas também somos responsáveis pela missão, que é dever moral, ético e social, de preservar estes mesmos recursos em sua diversidade. Mas é nítido perceber que não estamos levando a cabo esta missão, e por isto nos encontramos num momento crucial da história humana que, se não salvarmos o planeta Terra, todos morreremos.

O catecismo da Igreja católica nos ensina que explorar irresponsavelmente os bens da criação, movidos por interesses de egoísmo e de ganância, se constitui um pecado grave.

Honestamente sabemos que, todos de uma forma ou de outra, somos em grande parte responsáveis pelo atual estado do aquecimento global da terra e de suas catástrofes. “A terra geme com dores de parto” (Rm. 8,22).

Não há mais tempo a perder. A terra na diversidade de sua vida e na riqueza de seus recursos  naturais dá sinais claros de enfermidade. Estamos colhendo os frutos amargos de nosso egoísmo irresponsável. Os profetas sempre nos advertiram que devemos saber ler e interpretar os sinais de Deus através dos fenômenos da natureza. Chegou a hora de refletirmos sobre a missão que Deus Pai nos delegou desde o início da criação na pessoa de Adão e Eva, “Ide, contemplai e cultivai os bens da criação para sustento de todos” (Gn 1,29s).

Diante do dever e do compromisso de zelarmos pela qualidade de vida e dos bens da criação de nosso planeta, não podemos nos esquecer que nossas vidas estão diretamente ligadas ao uso e ao destino que lhes dermos. Não podemos nos esquecer que um dos primeiros direitos que Deus nos deu em Adão e Eva é de contemplarmos e de cuidarmos da natureza como dom, dádiva e expressão viva da bondade e do infinito amor de Deus para toda a humanidade. Santos e místicos da Igreja sempre disseram que a mãe natureza é nossa primeira bíblia natural. Ela nos fala de Deus e nos revela a presença e a infinita bondade de nosso bom Deus e Pai.

A contemplação e os cuidados dos bens da criação é missão de todos, particularmente de todo cristão, como cumprimento do plano de Deus. Por isto mesmo, a manipulação egoística e indevida destes bens, particularmente da vida humana, se constitui em pecado grave no ensino da Igreja católica.

Esta é uma verdade pelas próprias ciências humanas. Sempre que o ser humano, em sua liberdade irresponsável, se colocou fora do plano de Deus no uso indevido dos bens da criação, arruinou a sadia relação consigo mesmo como na relação de justiça e de amor com o irmão e com o próprio Criador.