35 quilômetros a pé. Mais 35 quilômetros de volta, carregando as duas imagens que ele tinha ido comprar em Lion. São dois anjos, que o santo Cura d’Ars quer colocar junto ao sacrário na sua modesta igreja. Ano após ano ele foi embelezando o ambiente e melhorando as vestes litúrgicas. O melhor que ele tinha, mal e mal ele considerava satisfatório para Deus.

Este é apenas o editorial do Boletim de Fevereiro de 2011.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

Isso me faz lembrar a história de um missionário, que foi questionado com esta pergunta dolorida: “Como é que eu posso acreditar que o seu Cristo é o Deus verdadeiro, quando você me convida a adorá-lo numa garagem? Venha comigo… vou lhe mostrar o que eu considero uma autêntica casa de Deus na terra.” O missionário entendeu logo. Como jovem sacerdote, ele tinha visitado algumas comunidades de aimarás, no alto da cordilheira dos Andes. Um terremoto tinha destruído as igrejas de vários povoados. Em alguns deles, elas tinham sido reconstruídas com grande esforço. Em outros povoados, deixaram passar o tempo; e onde não havia igreja de pedra e de madeira, com o tempo ia morrendo também a Igreja de corações vivos. E logo surgiam as seitas. Em outras aldeias sobrou apenas uma vaga noção sobre religião.

No último dia de fevereiro de 2010 o Chile foi assolado por um violento terremoto. A destruição deixou milhões de pessoas desabrigadas. Escolas ruíram, hospitais desmoronaram, também igrejas ficaram destruídas. A Igreja Católica reagiu imediatamente. A Ajuda à Igreja que Sofre do Chile tomou a iniciativa de financiar um novo modelo de igreja de emergência, projetada por um renomado arquiteto. A solução por ele adotada se mostrou muito prática, econômica e harmoniosa. Nessa igreja de emergência, uma estrutura de metal sustenta uma tenda com a forma do manto de Nossa Senhora. O interior é luminoso e dá uma sensação de acolhida e proteção. Em menos de oito meses, a Ajuda à Igreja que Sofre recolheu no próprio Chile os recursos necessários para levantar 42 dessas igrejas nas localidades mais atingidas. “Essa nova igreja é uma demonstração de que não estamos sós nem abandonados. Estou fascinado e agradecido pela ajuda eficiente”, diz o pároco de Yáquil. “Celebrei Missas nas ruas e fiz funerais nas casas dos falecidos. Com essa capela recuperamos a dignidade do culto sagrado”, diz o pároco de El Olivar.

Essas capelas emergenciais são apenas um primeiro passo. Será um trabalho de décadas, reconstruir as igrejas e casas paroquiais. E o Chile é só um dos muitos países. Deus merece mais do que garagens e corações vazios. Não deixemos passar o tempo. Vamos participar da construção do Reino de Deus. Eu lhes agradeço e os abençôo.