Visíveis são os tijolos das igrejas. Mais visível ainda é o sinal dos perseguidos. Nossa luta diária na Ajuda à Igreja que Sofre é em função desses perseverantes na fé, no mundo inteiro. A ajuda de vocês torna isso possível. Por isso, sejam generosos!

Este é apenas o editorial do Boletim de Fevereiro de 2010.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

Não por minha causa, mas por causa de vocês, doadores da Ajuda à Igreja que Sofre, o Santo Padre me convidou para participar no Sínodo dos Bispos da África em Roma, em outubro passado. Foram três semanas cheias de oração e de trabalho – e de questionamentos dolorosos, também para nós. Podemos nós continuar respondendo negativamente a bispos que vivem na necessidade e na miséria, só porque não há dinheiro? Como vão entender isso, se eles nem sequer têm remédios e pão, e muito menos sabem com quais recursos vão levantar uma igreja onde possam celebrar dignamente a Eucaristia? E isso em regiões onde esplêndidas mesquitas brotam do solo como fungos?

No final do Sínodo, um arcebispo de Moçambique me abraçou, agradecendo “de modo todo especial pelas igrejas” que foram construídas graças à ajuda de vocês. Sua preocupação consistia no fato de “que os nossos jovens crescem sem a experiência de que existem construções dedicadas apenas à vida de fé. Nas religiões ancestrais africanas e no Islã, o recinto sagrado é algo primordial. Será que nós católicos só podemos oferecer culto à Santíssima Trindade e à Virgem Maria em salas multiuso, onde também se pratica o esporte e a dança, onde se come e se dorme?” Ele se emociona e diz que aqui encontra compreensão. Esse arcebispo formulou algumas frases da Declaração Final do Sínodo. Nelas se afirma que é agora que se decide o futuro religioso do Continente Negro e que para isso é urgente que, com seus templos, a Igreja Católica se torne “visível” aos africanos em toda a sua dignidade e beleza.

Algumas semanas depois conheci outra forma de “tornar visível” a fé. Recebi a visita de duas mulheres do Egito. Elas contaram o quanto são duramente discriminados os cristãos de rito copta, que estão unidos a Roma. Quando me entregaram alguns documentos, notei uma cruz tatuada em seus pulsos. “Nosso povo no Alto Nilo é muito pobre e vive em constante perigo por causa de sua fé católica. Muitos veneram mártires de suas próprias famílias. Isso pode acontecer também conosco a toda hora” – explicaram elas, mostrando a cruz tatuada. “Nós a chamamos de ‘o sinal’. Poderia acontecer que um irresistível medo de morrer nos levasse a renegar Jesus. Então este sinal indelével no corpo proclamará aquilo que nossos lábios talvez silenciassem.”

Visíveis são os tijolos das igrejas. Mais visível ainda é o sinal dos perseguidos. Nossa luta diária na Ajuda à Igreja que Sofre é em função desses perseverantes na fé, no mundo inteiro. A ajuda de vocês torna isso possível. Por isso, sejam generosos!