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Boletim Agosto 2012

2012-10-04T12:01:34+00:00agosto 17th, 2012|Boletim|

No famoso Museu Hermitage de São Petersburgo encontra-se exposto o quadro original “O Retorno do Filho Pródigo”, de Rembrandt. A imagem é comovente. De modo magistral, Rembrandt deu forma à parábola de Jesus sobre o filho arrependido que volta para casa e do pai misericordioso.

Este é apenas o editorial do Boletim de Agosto de 2012.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

Aqui se trata de reconciliação e de perdão. No centro da pintura o filho perdido está ajoelhado, a cabeça apoiada ao coração do pai; e as mãos do pai pousam sobre os ombros do filho, como uma bênção. É algo que chega a fazer sentir, ao mesmo tempo, ternura materna e a firmeza do pai, sua bondade e sua justiça, a grandeza e a humildade no abraço paterno.

Mas a parábola do Evangelho também apresenta um lado triste. O filho mais velho, que na pintura está em pé, à parte, não quer participar da alegria do pai. Seu coração endurecido não compreende a bondade do pai. Ele não é capaz de perdoar ao seu irmão porque, na sua auto justificação, não reconhece seu próprio pecado e também jamais pediu perdão a seu pai e, portanto, também nunca experimentou a potência amorosa do perdão. Com qual deles nos parecemos nós? Quem de nós já não pensou palavras como “A culpa é dos outros”, “Deus perdoa,mas eu não” ou “Perdoar, eu perdoei; mas esquecer, eu não vou nunca!”

Perdoar pode ser difícil, muito difícil. Porque também existem razões aparentemente boas para considerações como: a lembrança angustiante de sofrimentos suportados e de imensa injustiça sofrida; sentimentos de ódio e de vingança entre famílias e pessoas de origem, língua, religião e cultura diferentes; opressão social e corrupção. Tudo isso podem ser feridas profundamente dolorosas, que ameaçam a paz entre os povos e podem levar a crises e catástrofes de dimensões globais. O Papa Bento XVI escreve, no seu livro sobre Jesus: “O perdão deve ser mais do que ignorar, do que um simples querer esquecer (…). Perdão custa algo – primeiramente àquele que perdoa: ele precisa superar em si mesmo o mal que lhe foi infligido, (…) de modo que possa depois incluir também o outro, o culpado, nesse processo de transformação e que ambos, pela suportação e superação do mal, possam se tornar novos.”

Caros amigos, com frequência lhes pedimos ajuda para muitos cristãos que sofrem injustiça social, violência, pobreza e perseguição. Esses irmãos e irmãs carregam muito mais pesadamente do que nós a esmagadora exigência da reconciliação. Para eles, o perdão não é ação de um só momento, mas uma atitude permanente do coração. Eles vivem o perdão, como o pai misericordioso e o filho re-encontrado da parábola. Não é revidando que eles superam o ódio, a divisão e o mal, mas com um amor que toma a iniciativa e com a conversão diária; tudo isso, muitas vezes colocando em jogo a própria vida. É por eles que nós pedimos.

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