“Façam o que puderem. Rezem e mandem sua oferta para milhares de religiosas que seguem o chamado de Deus e estão prontas a anunciar a Boa Nova de Jesus. Muitos conventos devem seu surgimento ou subsistência somente à ajuda de vocês. Grandes obras têm muitas vezes um início modesto.”

Este é apenas o editorial do Boletim de Abril de 2010.
Você pode baixar o boletim na íntegra ao final deste texto (anexo).

 

Eu não o conhecia. Foi tudo muito rápido. O câncer corroeu o seu corpo, você mal tinha 48 anos. Na sua pátria, o Tirol, seus irmãos padres se revezavam para dar-lhe assistência. Padre João Nepomuceno, no seu santinho vi pela primeira vez o seu rosto. Traços angulosos, um olhar penetrante, cheio de bondade, que se fixava na “única coisa necessária”: Jesus. Falaram-me dos anos em que você foi colaborador voluntário no Equador; e também do quanto foi difícil, para você, aprender o russo. Já como padre, você foi para Alexeievka, no sopé dos Urais. Os camponeses simples da região não sabiam quase nada sobre Cristo. Foi com as crianças que você começou a anunciar a Mensagem da Alegria, sem esquecer as “babushkas”, as avós, que durante os anos da perseguição se mantiveram fiéis à Igreja Católica. Quantas pessoas foram até o seu leito de morte! Elas pediam sua bênção, porque você já estava no limiar do Paraíso. A uma delas você disse: “A gente só é feliz quando entrega a vida inteira”. O seu diretor espiritual observou: “Você é uma hóstia vivente. Que privilégio, poder morrer assim no Ano Sacerdotal”. A sua resposta: “Eu me alegro por ir ao Céu”.

No seu funeral, 40 padres concelebraram. Presidia a celebração o seu admirável bispo Dom Clemens Pickel. Nas estepes tão distantes é muito duro ser pastor. A semeadura exige paciência. São poucos os frutos que se tornam visíveis. A cada cinco ou dez anos os padres têm de ser substituídos. Os desgastes são grandes demais. Você já estava lá há 15 anos. Na homilia, o bispo disse, com o olhar dirigido ao seu esquife: “Quando um padre morre, é Jesus Cristo que morre”. João, na realidade nós já nos conhecemos. A sua vida é o fruto visível de uma Igreja viva.

No final você só dizia ainda: “Mamãe, mamãe.” Nessas duas sílabas você associou duas mulheres: Maria e a sua mãe terrena. Neste ano, Roma convidou as mulheres na Igreja a assumir “uma maternidade espiritual diante dos sacerdotes”. Trata-se de uma solidariedade misteriosa, uma forma de fecundidade no rastro de Maria, a Mãe do Eterno Sumo Sacerdote.

Caro missionário tirolês, você nos deixa um testamento. É a sua oração de 7 de outubro passado: “Mamãe, eu te amo. Por amor e para sempre eu te consagro a minha pessoa e o meu sacerdócio. Tudo o que é importante para mim pertence a ti. Eu quero aquilo que tu desejas. Toma o meu nada. Transforma-o como te agrada, ó Mãe. Amém”.

João, abençoa lá do céu todos os benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre, aqueles que tornam possível fazer com que milhares de seminaristas cheguem ao sacerdócio, nossos pastores tenham igrejas onde podem atender confissões e celebrar a Eucaristia. Por favor, abençoe-os.