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Werenfried 2018-04-17T15:34:53+00:00

UM GIGANTE DA CARIDADE

PADRE WERENFRIED VAN STRAATEN

Philippus Johannes Hendricus van Straaten, mais tarde conhecido como Werenfried, nasceu em 17 de Janeiro de 1913 em Mijdrecht, perto de Amsterdã, na Holanda. Chegou a receber formação para ser professor como o seu pai, tendo começado a estudar filosofia clássica em 1932, na Universidade de Utrecht. Mas Deus tinha outros planos para ele.

Em 1934 entrou na abadia norbertina de Tongerlo, na Bélgica, onde adotou o nome Werenfried, que significa «combatente pela paz». Na sequência de uma tuberculose, e com uma saúde não muito boa, o médico afirmou que o jovem Werenfried não podia dedicar-se aos rigores do trabalho missionário, tão pouco realizar serviços paroquiais e pregações, o que levou os seus superiores a considerarem a hipótese de ele deixar a abadia. Por sorte, o abade não o mandou embora. E mesmo sabendo que Werenfried cantava um pouco alto e desafinado, considerou-o qualificado para a oração festiva do coro. E em 25 de Julho de 1940 foi ordenado sacerdote.

Tendo experimentado as amarguras e atrocidades da II Guerra mundial, Padre Werenfried não aceitou assistir a tudo aquilo com um mero espectador e, diante da situação inumana a que milhões de pessoas foram sujeitadas, ele assumiu a dor, causa e necessidade de toda aquela gente. Com essa atitude, ele reconhece, na pessoa de milhares de irmãos que sofrem no corpo e no espírito, o Cristo abandonado e sofredor e fundamenta sua vida no evangelho que diz: “… todas as vezes que o fizestes a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

Em 1947, escreveu um artigo intitulado «Sem lugar na hospedaria», onde apelava ajuda a 14 milhões de alemães desalojados, expulsos após a guerra – dos quais 6 milhões eram católicos. Nesse mesmo ano padre Werenfried foi o pregador do encontro anual de camponeses de Tongerlo. Ele falou do sofrimento dos sacerdotes e cristãos alemães, abandonados nas ruínas de uma Alemanha irreconhecível.

Foi um discurso desafiante, pois todo povo belga havia sofrido por cinco anos a dura dominação dos alemães. A caridade não seria algo espontâneo. Mas o milagre aconteceu. Todos se comoveram com as palavras do Padre Werenfried e seu apelo ativou uma onda de generosidade. Quem não tinha dinheiro oferecia todo tipo de ajuda. Os camponeses não tinham muito dinheiro, mesmo assim todos foram para suas casas, cortaram um pedaço generoso de toucinho (alimento comum e abundante da época), e voltaram para entregar ao Padre Werenfried que, em pouco tempo, ficou conhecido como “Padre Toucinho“.

Durante a história da sua vida, atuando na Igreja pela obra que criou, a ACN, Padre Werenfried se tornou um dos maiores pedintes em favor daqueles que padecem. Um Mendigo de Deus que incomodou a consciência do mundo.

Essência da Missão

A essência da minha missão consiste em enxugar as lágrimas de Cristo, onde quer que ele chore. Deus naturalmente, não chora no céu, onde vive em luz inacessível e bem-aventurança eterna. Deus chora na Terra. Suas lágrimas correm incessantes sobre a divina face de Jesus, que continua aqui na Terra, vivendo e sofrendo, passando fome e sendo perseguido nos mais pequeninos dos seus irmãos.

Em 17 de Janeiro de 2003 padre Werenfried comemorava seu 90° aniversário. E para celebrar a ocasião uma missa festiva foi realizada na catedral de Limburg, Alemanha, com mais de 500 amigos, benfeitores e funcionários. O Bispo Franz Kamphaus de Limburg diz que “a religião ainda é emocionante nos dias de hoje”, e cita a vida e obra do Padre Werenfried como a melhor prova disso.

Após 14 dias, em 31 de Janeiro, padre Werenfried morre, após uma breve e grave doença, em Bad Soden, perto de Königstein. A mesma catedral, local da celebração festiva do seu aniversário, a 14 dias atrás, agora celebrava a missa de corpo presente. Desta vez o presidente da celebração foi o então prefeito da Congregação para o Clero do Vaticano, o Cardeal Dario Castrillón Hoyos. Com ele estavam dezenas de bispos e padres de todo o mundo. Como símbolo da ressurreição e do seu vínculo pessoal com o Papa, o Círio Pascal da capela privada do Santo Padre, que o Papa tinha dado pessoalmente ao padre Werenfried, queimava ao lado do caixão.

Padre Werenfried foi para todos nós um entusiasta, um trabalhador, um mendigo de Deus que não se envergonhava de pegar seu «chapéu dos milhões», e pedir esmolas em favor daqueles que realmente precisavam. Ele tinha um impulso de querer salvar o mundo, por isso nunca media forças, sempre arriscava tudo, contando sempre com a providência de Deus. Acreditava sempre que algo mais poderia ser feito, que um pouco mais poderia ser dado, sem se preocupar com o quanto isso iria custar. Tinha apenas a certeza: de que com Deus, sempre encontraria a solução.

O vídeo acima mostra o emocionante encontro do padre Werenfried com representantes de diversos países ajudados pelos projetos da ACN.

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