Sexta, 09 Fevereiro 2018 15:47

Arcebispos da Síria e Nigéria falam sobre agressão à liberdade religiosa em seus países

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Dom Joseph Tobji (Síria) e  Dom Matthew Man-Oso Ndagoso (Nigéria) em conferência organizada pela ACN Dom Joseph Tobji (Síria) e Dom Matthew Man-Oso Ndagoso (Nigéria) em conferência organizada pela ACN

Em uma conferência de imprensa realizada em Colônia, na Alemanha, no último fim de semana, pela Fundação Pontifícia ACN, arcebispos oriundos da Nigéria e da Síria falaram sobre a dramática e difícil situação enfrentada pelos cristãos em seus respectivos países. Dom Matthew Man-Oso Ndagoso, da diocese de Kaduna, no norte da Nigéria, e Dom Joseph Tobji, arcebispo maronita de Alepo, na Síria, falaram sobre os perigos e ameaças constantes de violência, sobre o grande número de deslocados e refugiados e, até mesmo, sobre o perigo da extinção do cristianismo em suas terras.

No caso da Síria, mesmo que o grupo autodenominado "Estado Islâmico" pareça quase terminado, há muitos outros grupos de mentalidade semelhante ainda ativos, advertiu o arcebispo Tobji. Enfatizou que, na Síria, especificamente em Alepo, a vida estava realmente começando a voltar ao normal e as pessoas estavam começando a recobrar a esperança, embora as consequências da guerra ainda estivessam sendo muito sentidas.

"Todo o povo sírio sofreu perdas", observou o arcebispo. "Em todos os lugares, há pobreza, desemprego, devastação inimaginável das casas, das pessoas e do tecido social e moral da sociedade, juntamente com uma sensação de desesperança e desconfiança em relação ao futuro". Nessa situação, o apoio da Igreja era particularmente importante, ele insistiu, acrescentando seus agradecimentos especiais pelo compromisso e generosidade da ACN. "Muitas pessoas na Síria reconhecem abertamente que, se não fosse pela Igreja, estaríamos mortos agora", confessou.

O arcebispo Tobji também criticou o papel da comunidade internacional. "É absolutamente claro para todos que os motivos de uma guerra tão desastrosa como vivemos nestes últimos sete anos não têm nada a ver com a busca por democracia ou liberdade. As razões têm muito mais a ver com um jogo sujo de economia mundial”. Ele sustentou que os principais fatores eram acima de tudo o comércio de armas, recursos naturais como o petróleo e o gás, a favorável posição geográfica do país e conjunto de forças no mundo político. Para as potências mundiais, a Síria era como um bolo para ser dividido, do qual todos queriam a maior fatia.

As terríveis consequências da emigração

Foram principalmente as pessoas mais jovens e de melhor formação que deixaram a Síria em função da guerra e da falta de perspectivas futuras, apontou o arcebispo, acrescentando que as consequências dessa emigração são muito terríveis. O número de cristãos na Síria já caiu para um terço. Os refugiados internos agora estão voltando aos poucos para suas casas, já aqueles que se mudaram para o exterior permanecem fora.

Da mesma forma, no norte da Nigéria milhares de pessoas fugiram da violência, intimidação e opressão. Os cristãos aqui estão expostos não apenas aos ataques do grupo terrorista islâmico Boko Haram, mas também a uma discriminação sistemática pelo estado regional, de acordo com o Arcebispo Dom Matthew Mano-Oso Ndagoso de Kaduna.

A Nigéria é o único país do mundo em que a população é mais ou menos uniformemente dividida entre cristãos e muçulmanos, com os cristãos sendo maioria no sul e os muçulmanos possuindo a maioria do norte, explicou Dom Ndagoso. Acrescentou que sua própria arquidiocese, Kaduna, é um centro particularmente importante do islamismo na Nigéria.

A educação religosa cristã é banida em alguns lugares da Nigéria

Em alguns dos estados do norte da Nigéria, entre outros, a lei da sharia islâmica já foi introduzida, de modo que a educação religiosa cristã já não é mais permitida nas escolas. Em contrapartida, a educação religiosa islâmica é apoiada e professores islâmicos de religião são oficialmente empregados pelo Estado e pagos a partir de fundos públicos. Até mesmo as mesquitas estão sendo financiadas com dinheiro público, enquanto recusam terrenos aos cristãos para construir igrejas.

O arcebispo Ndagoso clama, portanto, que seja dado "um tratamento justo à minoria cristã no Norte, baseado na justiça, com uma relação honesta uns com os outros, independentemente da confissão religiosa, identidade tribal, afiliação política e status social. Os cristãos da Nigéria estão pedindo que seus direitos e liberdades fundamentais sejam honrados e respeitados em todo o país", acrescentou.

Dom Ndagoso também elogiou o apoio e a solidariedade oferecidos pela Fundação Pontifícia ACN, que "sempre esteve lá para o nosso povo em momentos de necessidade". Devido à insegurança da situação, mesmo alguns dos bispos não se atreveram a se pronunciar no norte da Nigéria, disse ele. A ACN era uma "voz", acrescentou, que estava dando uma expressão audível no cenário internacional aos medos, ansiedades e necessidades da minoria cristã perseguida na Nigéria.

É por isso que é urgentemente necessário mostrar a nossa solidariedade aos cristãos perseguidos em todo o mundo, disse Berthold Pelster, especialista em direitos humanos da ACN, resumindo a situação na conferência de imprensa, organizada pelo escritório alemão da ACN. "Nos últimos 30, 40 anos ou mais, vimos o avanço de ideologias de intolerância religiosa, sobretudo em partes do mundo islâmico", afirmou. "Após os tumultos no mundo árabe desde 2011, vimos o crescimento do extremismo e, enquanto isso, as ideias islâmicas radicais também se espalham cada vez mais no continente africano", acrescentou.

Por conseguinte, é crucial, ele acredita, chamar a atenção da opinião pública mundial repetidas vezes contra os abusos ao direito básico à liberdade religiosa. Para os cristãos perseguidos e oprimidos, saber que eles não foram abandonados em sua necessidade pela Igreja universal é fonte de fortalecimento para sua fé.

Há muitos anos a ACN vem documentando a perseguição de cristãos em todo o mundo e monitorando a situação da liberdade religiosa em 196 países. A Fundação Pontifícia publica as conclusões em um relatório biênal, o Relatório de Liberdade Religiosa. Sua próxima publicação data para outono deste ano.

Lido 743 vezes Última modificação em Sexta, 09 Fevereiro 2018 16:20

1 Comentário

  • Link do comentário Fábio Aparecido de Souza Pereira Segunda, 12 Fevereiro 2018 09:21 postado por Fábio Aparecido de Souza Pereira

    Bom dia! Acho uma graça muito grande essa missão. Trabalho árduo mas que não pode ficar sem ser realizado. Vou começar ajudar. Conheci pela canção nova que também é uma grande missão. Deus abençoe! Estamos numa grande missão aqui para construir uma capela. Somente com dízimo, arrecadações e ofertas e a força dos leigos.

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