Segunda, 27 Novembro 2017 11:42

Cardeal Piacenza sobre a Red Wednesday

Escrito por
Avalie este item
(1 Voto)
Um minuto de silêncio em frente à Catedral de Westminster, Londres Um minuto de silêncio em frente à Catedral de Westminster, Londres

Entrevista com a Vossa Eminência Cardeal Mauro Piacenza, presidente internacional da Fundação Pontifícia ACN – Ajuda à Igreja que Sofre.

Cardeal Piacenza
Cardeal Piacenza
Trinta edifícios em Londres ficaram vermelhos no dia 22 de novembro, entre eles: catedrais, igrejas e escolas. O evento foi organizado pela ACN Reino Unido, como símbolo da liberdade religiosa. No mês passado, o escritório francês da fundação iluminou a basílica de Sacré-Coeur em Montmartre. A Vossa Eminência acredita que esses tipos de iniciativas são eficazes para fazer memória às vítimas que sofreram por sua fé ou até chegaram a sacrificar suas vidas? É possível aumentar a conscientização sobre a liberdade religiosa entre as pessoas desta maneira?

Considero a iniciativa, em si mesma, bastante louvável e a apoio veementemente. No entanto, é importante que tudo isso seja acompanhado por uma compreensão dos valores nos quais a iniciativa se baseia. Caso contrário, corre-se o risco de o evento ser mal compreendido e associado a contextos seculares, o que aconteceu com a iluminação do feriado do Natal. Nos locais relacionados ao martírio de São Thomas Becket, São Thomas More e São John Fischer, podemos entender melhor o valor do martírio, também como demonstração de dignidade humana, liberdade religiosa e a nobreza de uma consciência formada. O Martirológio (martirologia oficial da Igreja Católica - nota do editor) deve-se tornar um livro importante uma vez que a Igreja passa por constante renovação.

O Santo Padre nos pede repetidamente para não nos manter em silêncio diante da perseguição cristã. Como podemos ajudar os católicos na Itália a se tornarem voz dos cristãos perseguidos, para também expressar corretamente a nossa gratidão aos muitos mártires cristãos que sacrificaram suas vidas pela fé?

Sim, o Papa Francisco nos lembrou de forma muito eficaz que "silenciar e manter silêncio são também um pecado"! Seguindo esse pensamento do Santo Padre, a ACN condena a violência contra os cristãos e se levanta em defesa dos cristãos perseguidos para aliviar o sofrimento deles. A voz da nossa instituição é a de um profeta que diz e provoca as pessoas a fazerem o que precisa ser feito: alimentar aqueles que estão com fome de pão e justiça e ver Jesus neles. Rezamos com fé profunda e depois agimos para abrir os corações das pessoas para secar as "lágrimas de Deus", não importa onde Ele as derrame. Ensinamos a amar até o perseguidor e a compreender a Igreja como um corpo em que, é claro, a partir do centro, cada membro está conectado aos outros. As famílias, paróquias, vários grupos e instituições educacionais também devem ser vistos como instrumentos e ajudar a alcançar uma compreensão abrangente sobre este assunto.

Trata-se também de um discurso cultural abrangente. Há alguns países neste mundo, incluindo alguns localizados não muito longe de nós, em que a perseguição real está ocorrendo. É também uma perseguição sutil, uma perseguição que não deixa vestígios. Porque é uma verdadeira "limpeza sistêmica" de tudo o que é cristão ou até do que parece ter algo a ver com o cristianismo.

Até mesmo aí, onde essa perseguição ainda não se transformou em violência física, ela tem um efeito devastador e, portanto, não é menos agressiva. Tal tentativa sistêmica está sendo feita para negar a legitimidade de qualquer coisa que seja cristã, em plano histórico, artístico e ou social.

Vossa Eminência, sob sua presidência, a ACN iluminou a fonte de Trevi com luzes vermelhas em 29 de abril de 2016 para recordar o sangue derramado dos mártires cristãos. Quão importante é chamar a atenção do Ocidente para a perseguição que sofrem nossos milhões de irmãos e irmãs na fé?

Em primeiro lugar, é um dever de consciência. Não esqueçamos que o mártir cristão também é elemento autêntico de civilidade, uma lição de verdadeira liberdade e amor.

A cor do sangue que se projeta sobre os grandes monumentos nos recorda que os mártires cristãos expiam, para Cristo, com Cristo e em Cristo, em favor de todos os homens, inclusive – e isso é o que distingue o martírio cristão de outros "Martírios" – em favor daqueles que são instrumentos do seu martírio! E é por isso que elevamos nossas vozes a Deus em louvor por esses irmãos, que entraram no esplendor do Paraíso com palmas em suas mãos, sendo coroados com a incorruptível coroa de glória. Nós percebemos que a salvação incomparável que Cristo ganhou para nós na cruz também nos é concedida hoje através deles: o cristianismo tem uma dimensão estruturalmente martirológica que não diminui seu efeito e poder, mas o fortalece e o torna ainda mais fértil em sua fé, amor e perseverança. Nós também não podemos nos esquecer que os ideais que morrem são aqueles, justamente, que não há ninguém que morra por eles!

Lido 95 vezes Última modificação em Segunda, 27 Novembro 2017 14:05

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.